Estou calmo e certo do que quero. Não posso querer outra coisa, por isso estou certo do que me resta. Aos poucos vejo-a passar. Vejo-a sair sem dizer adeus. Para onde vai, não sei. É transferida pelos tubos que me estão ligados. Puxam com força estes tubos. Não, não posso. Não consigo estar calmo e vê-la ir-se assim embora sem fazer nada. Num repente, quase no fim, retiro os tubos violentamente. Um a um, retiro-os. Sai o primeiro, o segundo, mais um e outro. Sai o último, mas não adianta. A última gota foi-se com ele. Olho para os tubos sem pensar, pois já não consigo pensar. Sigo-lhes a trajectória e vejo luz, apenas luz. Os tubos estão cheios de um líquido azul. Assim se foi para o infinito, a minha vida, para que lá em cima, na luz, se lembrem de mim como era, não por fora, mas por dentro: Azul! Apenas e só, azul. O meu corpo, esse ficou cá em baixo.
quarta-feira, 10 de Junho de 2009
sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
Caricatura
“Dividam-se as mentes. Pois há aqueles, coitados, que não fazem nada da sua vida. Há aqueles que negligenciam o importante, que esquecem o que não devia ser esquecido. Há aqueles que nos fazem sentir superiores, só pelo simples facto de serem tão mais inferiores a nós. Há aqueles que só se importam com coisas fúteis, com coisas de crianças, aqueles que nunca crescem e que passam o tempo estupidificados sem fazer nada que se diga sério ou digno. Dividam-se pois as mentes. Que raio de gentalha é esta que não tem objectivos de vida e que, aparentemente, só existe para respirar e chatear quem quer fazer algo de produtivo? Dividam-se as mentes, eu estou do lado de cima, e esta roda, não vai virar tão depressa. A estupidez não me afecta, e esses coitados, espero eu, um dia encontrarão o sentido da vida. A responsabilidade há-de bater-lhes à porta, e quando isso acontecer, talvez me digne a estender-lhes a mão. Até lá, e enquanto continuarem a insistir em disparates sem nexo, eu continuarei a sentir-me superior, só pelo simples facto de eles serem tão inferiores.”
domingo, 10 de Agosto de 2008
O último post no Esgoto Citadino foi tirado de papeis que encontrei no meu quarto. Aqui vai mais um:
A nossa vida dá voltas e voltas, e aquilo que ontem era certo e sabido, hoje é a certeza da dúvida, que paira ameaçadoramente sobre as nossas cabeças. Há decisões a serem tomadas, e daí nasce o dilema. Ficar, e ver partir os navios que partem à aventura? Carregados sabe-se lá com que riquezas e tesouros...que nunca poderão ser meus. Ou partir num deles e desbravar os mares, à descoberta de um novo mundo, correndo assim o risco de não encontrar nada na outra margem? É certo que os navios novos nos parecem sempre melhores, e muitas das vezes não o são. Mas se o meu porto ataca os navios, não será ele um mau porto? "Mas faz isso para me proteger..." Não me interessa. Não me agrada! Este porto já esteve mais bem cuidado...e começo a despegar-me dele. Talvez...talvez parta mesmo à descoberta e encontre aquilo que procuro. E deixo para trás o porto amigo e querido, que espero, não desabará...
A nossa vida dá voltas e voltas, e aquilo que ontem era certo e sabido, hoje é a certeza da dúvida, que paira ameaçadoramente sobre as nossas cabeças. Há decisões a serem tomadas, e daí nasce o dilema. Ficar, e ver partir os navios que partem à aventura? Carregados sabe-se lá com que riquezas e tesouros...que nunca poderão ser meus. Ou partir num deles e desbravar os mares, à descoberta de um novo mundo, correndo assim o risco de não encontrar nada na outra margem? É certo que os navios novos nos parecem sempre melhores, e muitas das vezes não o são. Mas se o meu porto ataca os navios, não será ele um mau porto? "Mas faz isso para me proteger..." Não me interessa. Não me agrada! Este porto já esteve mais bem cuidado...e começo a despegar-me dele. Talvez...talvez parta mesmo à descoberta e encontre aquilo que procuro. E deixo para trás o porto amigo e querido, que espero, não desabará...
algures durante 2007
Ricardo Nogueira
Ricardo Nogueira
sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
O Filho da Vida
Um mundo novo, fresco e saudável germina
Sem vestígio de criaturas, sem vestígios de vida.
Mas ela logo rompe e se perde sozinha.
Passeia por esse mundo e nele predomina.
Da vida, que nasceu do mundo, é a besta vinda:
O Homem, que destrói e aniquila,
Mata e rouba a vida, do mundo filha.
E mata-se a si próprio matando a vida.
(Matando tudo consigo...e termina!)
E o Homem fica, com mundo, mas sem vida.
Sem coração, sangue ou pensamento, caminha
Sobre o mundo: esfera destruída,
Já quase por ele esquecida.
Que estúpido é o filho da vida
Que matou a mãe, de quem vinha.
Criatura que caminha abatida
É este Homem que agora finda...
Está quase!
Está quase...
10 de Novembro de 2007
Ricardo Nogueira
Ricardo Nogueira
Chamem-me doido, continuo a gostar dele...
domingo, 29 de Junho de 2008
Manifesto em defesa do conteúdo ou falta dele
O texto tem o direito a ter conteúdo lógico ou ilógico.
Aquilo a que tenho vindo a assistir repugna-me e assusta-me.
Eu não sou nada, mas o meu nada tem conteúdo, por vezes lógico, tantas vezes ilógico.
Com toda a falta de respeito e educação, Eu!
PS.: Talvez para a semana percebam, talvez para o mês que vem. Não queiram, se não perceberem, melhor!
PPS.: Se leram, apanhei-vos!
Aquilo a que tenho vindo a assistir repugna-me e assusta-me.
Eu não sou nada, mas o meu nada tem conteúdo, por vezes lógico, tantas vezes ilógico.
Com toda a falta de respeito e educação, Eu!
PS.: Talvez para a semana percebam, talvez para o mês que vem. Não queiram, se não perceberem, melhor!
PPS.: Se leram, apanhei-vos!
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